Série "Casos Clínicos em Radiologia Comentados"

Paciente 55 anos, com dor abdominal em andar superior do abdome há 48 horas, com piora progressiva do quadro. Apresentou 3-4 episódios de vômitos "aquosos".

Ao exame físico apresentava-se discretamente taquicárdico (110 bpm), e febril (37,9 graus). O abdome apresentava uma leve distensão e dor difusa a palpação sem sinais de irritação peritoneal. No histórico clínico o paciente referia diagnóstico de litíase biliar. Negava interrupção de flatos.  O laboratório apresentava Leucograma de 14.000 cel/mm3 sem desvio. Bilirrubina total: 1,3 mg/dl com Direta: 0,6 mg/dl. Lipase: 2211(0?60). Amilase: 804 (0?100).

Qual o diagnóstico? Quais os achados de imagem?

Pancreatite aguda.

 

 

O diagnóstico de pancreatite é clínico e baseado em sinais físicos e sintomas, bem como níveis séricos de enzimas pancreáticas. Qual é então o papel da radiologia na sua condução?

 

·       Afastar outras condições intra-abdominais como causa da dor abdominal como obstrução intestinal; infarto mesentérico ou perfuração; colecistite aguda; apendicite.

·       Confirmar o diagnóstico e Identificar as causas (cálculos biliares)

·       Avaliar e avaliar a morfologia pancreática local

·       Identificar e gerir complicações

 

A tomografia computadorizada abdominal também fornece informações prognósticas baseadas na seguinte escala de classificação desenvolvida por Balthazar:

·       Grau A - Pâncreas normal

·       Grau B – Aumento focal ou difuso do pâncreas 

·       Grau C - Anormalidade pancreática intrínseca (realce heterogêneo)

·       Grau D - Colecção única mal definida ou alteração inflamatória (densificação da gordura)

·       Grau E - Duas ou mais coletas mal definidas ou a presença de gás dentro ou perto do pâncreas

 A ressonância magnética pode ser utilizada porém pelo alto custo e tempo de realização do exame é preterida em relação a tomografia. A radiografia é muito inespecífica e a ultrassonografia pode ser útil na avaliação da vesícula biliar, porém não fornece dados do“realce do pâncreas pelo meio de contraste”e sua realização é difícil em pacientes geralmente com distensão abdominal.

Voltando para nosso caso trata-se de um caso de pancreatite aguda Grau D pela tomografia de provável natureza biliar (Dica: cálculos biliares nem sempre são visíveis na tomografia, porém o paciente já possuía esse dado na história clínica.

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